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Desencanto em viagem

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Caminha desencantada, Por ali se vai deixando ir E a sorte venha, se tiver que vir Ou senão que se dê por terminada. Chove na estação… E entre os carris eu desejo estar do lado de lá, (Talvez seja mais feliz do que cá…) Quem mo pede é o meu coração… E, por entre o céu cinzento, O meu ser quer estar na praia. Por lá me têm como barqueiro com talento E eu não quero que isso me saia. Álvaro Machado - 14:58 - 29-09-2013

Derradeira viagem

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Estou na viagem que dita o meu fim. O sopro do vento desta vez só tem uma direcção. E eu nunca quis verdadeiramente isto para mim. Tudo o que aconteceu foi da ocasião. Quem me dera que a vida não fosse de coisas tristes, Nem houvesse tantas pausas a viver. Só queria estar mais tempo convosco, não tão distantes, Até ao novo amanhecer. Vamos. Se partir é só mais uma etapa Não há que ter medo, nem fazer grandes despedidas. Então eu deito fora a capa De tantas que tinha vestidas. Parto à primeira brisa da manhã. Sozinho para lugar nenhum. Com o amanhecer e os pássaros e uma boa quantidade de rum - Que é quanto baste p'ra me lançar ao mar - Eu vou andar por aí com a sorte e com o azar. Vou consoante os corsários. Serão eles, daqui a anos, os aeronáuticos Do momento. Sobrevoarão os países Bálticos E pilotos serão vários. (Mas tudo isso está no porvir Coisa que eu esqueço no meu partir... Que consoante as injúrias do leme É que realmente a vida me treme.) ...

Incompleto

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É estar completo Com as coisas completas E sentir o não estar De nenhuma maneira. A sensação preenchida De o não estar nunca! Lutuoso é um suspiro Quando se torna único, E eu no azar de um deleite Encontro-me incompleto Como essa sensação de sempre Estar imbuído sem estar. Álvaro Machado – 22:18 – 18-02-2013

O percurso

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As belas dádivas nem sempre são dadas A quem é seu merecedor. Umas são superiores à própria dor, Outras paisagens inventadas O melhor Destino nem sempre é partilhado Com quem de melhor fez para o merecer. Às vezes é um acaso acontecer, Outras, um Destino traçado… As melhores formosuras e riquezas Nem sempre têm as divinas princesas; Há lados de fidelidade e cortesia, E lados em que isso não acontecia Mas o que de bom não existe, Onde deambulam os pobres, os desafortunados, É um mundo mais do que triste De finais não-pensados… Neles, e somente neles, reside o esquecimento, E a falta de memória da sua existência! E é nesses que o dia é todo sofrimento Entre o antes e o depois que eu lamento Álvaro Machado – 22:30 – 15-11-2012