Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Amar

Boémia Canção

Imagem
  Abri a garrafa e ficai a ouvir a canção... Fiquemos aqui até amanhecer, fiquemos sem noção... (Breve havemos de sucumbir) Bebei até à exaustão O suor da maledicência que cheira a derrota... Se Deus é quem nunca nos perdoa e nos confronta Porque é a nossa inspiração? Mas é nas masmorras do nosso pensamento Que nasce outra imagem fúnebre, ainda por vir! - gritou, covardemente, em sofrimento, um homem que ousou não sentir... E continuou, bem alto e longe: Nas masmorras é que cantámos e bebemos  É aqui que ébrios enlouquecemos! (Disse-o repetidamente até partir...)  Álvaro Machado - 19h15 - 14/10/2022

Incurável doença

Imagem
O amor acabou - próprio e de outrem. P'ra onde eu vou Mais ninguém vem. As feridas nunca pararam E o vazio em mim alastrou Todos os barcos e naus naufragaram E o mar nunca os avisou... Assim, na sombra precipitado, Fujo como quem ama a vida E apesar de nunca ter sido amado Aviso-vos antecipadamente da minha partida. Até ao outro lado, irmãos. (Todos os poetas são vãos...) Álvaro Machado - 11:05 - 08-04-2015

desfragmento

Imagem
se me dizem para te amar eu não amo. se me dizem para te esquecer eu não esqueço. se me dizem, se me não dizem, eu não quero saber. este sou eu. uma náusea de consciência. uma mágoa vendida à sorte. o desfragmento, o estúpido, o artista de nada... o não ter sentido, tendo-o. o vácuo de todo mundo num rasgo de génio, o cadafalso permanente e a morte à vista... o verso disforme. nenhum ser merece escrevê-lo. tanto tormento. tanto, tanto... disseram-me para te amar e eu amei, disseram-me para te esquecer e eu esqueci... morri. morri porque nunca vivi. ébrio suspiro da corrente... meu amor. Álvaro Machado - 17h47 - 14-05-2014

Cave do tempo

Imagem
Estou na cave do universo E é tão pesada a consciência de tudo o que existe... A alma vagueia aos prantos pela rua da cidade esquecida Onde as pessoas fazem-me ter consciência Que a morte vem, vem lenta, silenciosa, discreta E que, quando vier, virá impiedosa. Levar-nos-á sem dar-mos o nosso último adeus. Parece que nem existimos... Que me resta? Esperar? E esperar o quê? Será que só irei sentir uma rajada de vento E depois caie redondo no chão? Sei lá eu... O que eu sei é que o tempo pouco é. Às vezes andamos pelos atalhos do quotidiano A fugir ao que realmente importa, que é abraçar as pessoas que amamos, Poder dizer todos os dias o quão especiais elas são para nós. Mas o tempo passa. Quer digamos ou não, ele perde-se, nós perdemo-lo... Não volta. Só passou. Era esse o seu sentido, o de passar sem ficar... Agora que eu queria dizer o quanto amo o mundo, tarda o dia, tarda a alma. Passei horas e horas a tentar compreender o incompreensível Para poder afirmar qu...

Porquê?

Imagem
Mundo que me rodeias Porque me levas por esse lado? Eu não queria estar sentado Preso por entre as paredes A receber a mágoa do passado O presente do nada, O futuro naufragado... Queria poder sentar-me contigo Onde arde-se uma fogueira Entre nós, houve-se sentido, luz ao fundo, Que a chama ainda tivesse vida... Mas o que posso eu fazer, para onde hei-de voltar? Todo o meu dia é feito de pequenas coisas E a todas elas eu intensamente consigo amar, Todas únicas e especiais, sofro como elas sofrem... Então é assim, mundo? Porque me rodeias pelo mal? Se eu só te peço uma fogueira para poder aquecer as mãos, o coração, E um jardim escasso de vida humana, impregnado de sonhos, Para eu poder recitar os meus poemas, escrever os meus sentimentos, Chorar quanto foi meu e não é, quanto eu não consigo ser, O mal de todos os males é a humanidade, ó mundo! Álvaro Machado – 16:11  - 15-02-2014

Sentir demais

Imagem
Tenho em mim tanto sentir Que não sei bem precisar, Sou de um pequeno lugar De caminho invulgar Onde toda a gente quer vir. Só que ele é, ao mesmo tempo, Oculto lugar. Tem que se sentir, vivenciar O que está para além do campo Entrar adentro dele e ali ficar. É um mundo novo entre mãos, Transcendente a mundos anteriores; Qualquer um almeja as suas cores, A extensa colectânea de corpos vãos E todos os sentimentos, ali, são superiores Como um Jardim do Éden diante de uma floresta Sempre oculto a qualquer alma vulgar; Para o espírito poder entrar Tem que sentir demais, porque demais nunca resta: É preciso o pequeno sentimento se amar. Álvaro Machado – 14:40 – 02-11-2013  

Concebível realidade

Imagem
Sei que os sonhos detêm o que a realidade desconhece. Por mais que na tormenta rota tomada As interceptem figuras demoníacas oriundas do mito Quem sonha sempre alcança. O meu estado leva-me a descortinar talvez o impossível à percepção da realidade. Porquê? Porquê o circundar ébrio dos planetas em minha consciência? Porquê a irrealidade imposta e concebida como a nossa vida? Não sei nada... Não sei como se ama, não sei porque se ama... Se amar nos concebe um amor eterno, E se realmente o carente sente saudade, Porque não nos amamos em conjunto? A minha realidade é sonho. Sempre foi. Tenho pouco por que me agarrar à realidade, esta de momento. Prefiro ser sempre o deambulante poeta que viveu na cave do pensamento E que descortinou sempre outro mundo. Álvaro Machado - 13:56 - 10-10-2013

Índole

Imagem
Se eu sou como sou, Eu não desejo ser. Deixo a escorrer Como água que molhou. Tudo se sonha, Porque tudo é sonho. É uma alta montanha Num sítio enfadonho. Isso é ser assim, E não crer ser assim. Se contesto, não consinto. Se vou é porque sinto. O espírito perpetua a escuridão. E o mar é imenso. Uma vastidão. O tempo voa, é tarde. Um dia encontrar-te-ei, cara minha metade. Álvaro Machado – 12-09-2013

Partida de Orionte.

Imagem
Cai desinibida, noite de luar. E no banco, encostado, Orionte Tem vindo ansiosamente a esperar Um largo sinal no horizonte Que lhe diga a hora de partir. Suas mãos vacilam no pomar; Encostado, vejo-o pensar O porquê da solidão vir Antes da morte chegar. Mas só ele sabe porque virá. Nascem laranjas nas árvores E o pomar em pouco tempo crescerá. Orionte vê finalmente seus louvores Serem escutados - ou deus os escutará, ou deles se refutará. Será, porém, esquecido. Será só mais um que passou. E o coração, esse, poderia ter sentido Mais do que sentiu: Sentir que alguém o amou. Álvaro Machado – 22:41 – 05-06-2013

Amor

forte é amor, ainda mais forte é amar-te. sentir e viver e cantar-te com grande fulgor. somos a partícula que complementa o universo e cresce verde na hortícola a esperança em verso. mas, ainda assim, não sei bem precisar tanto possuir e te amar mais do que a mim. se existe o destino, destino somos nós a cantar com a alma o nosso amor... partir até pode ser, desde que partir seja contigo! mais: a lua um dia há-de pertencer a mim e a ti e a nós! Álvaro Machado - 22:47 - 19-03-2013

Majestoso

Imagem
Estou rendido a este sol majestoso E quem está ali, naquele jardim, Parece seres tu a olhar para mim Enquanto balouças neste dia esplendoroso As minhas mãos, já vencidas, rendem-se Ao sol que brilha tão intensamente; Ténue de a ver vagarosamente Elas, por ti, prendem-se... Imperador sol dos doze reinos solares... Hoje, as estátuas desta terra amam... E eu vou alucinando enquanto brilhares Por entre memórias que me recordam. Dormir é deixar passar Este dia para um amanhã incerto E o destino estará sempre aberto Porque este dia há-de nunca cessar! Álvaro Machado – 20:29 – 14-02-2013

Às coisas do futuro

Imagem
Às estrelas que me esqueceram... Às luzes que me perderam... Aos astros em duplo sistema solar... Aos deuses em que ninguém quer acreditar... Escrevo a todos esta angústia incansável, As saudades não as sinto ao escrever... Nenhum tem saudade deste haver Ou desta saudade impossível... Sobre os dois hemisférios terrestres Sinto milhões deles a emergir Em poeiras atónitas os vejo mestres Que nunca sabem como agir... Saudades são saudades - podem ser Saudades próximas, que se aproximam Mais de nós e mais nos magoam; Ou saudades de quem não sabe ter, Quando nos estão longe e pesam Como se estivessem em peso de consciência. Aos que escrevo são saudades na sua essência, Por favor, nunca me esqueçam! Aos anos que passam: as estrelas já não me conhecem, Porque haveriam elas de alguma vez me conhecer? Quem as olhou fui eu, quem as amou ao anoitecer Fui apenas eu às horas passadas que envelhecem. Em mim? Ninguém se lembra de mi...

Cinco

Imagem
Cinco luzes dispostas ao comprido do passeio, Em nenhuma se me assemelha o feitio... Vou indo sem rumo, sem direcção, Porém, indo sempre com predisposição... O meu objectivo é apenas ir. Sem futuro, sem passado. Os que me vêem sabem que tenho estado presente E que mais tarde deles estarei ausente, Porque eu ando e nunca sou cruzado. Sem luz. Sem ritmo. Apenas vou. Talvez assim me ache numa luz como eu, Talvez assim ache, incidido n'um escuro permanente, Alguém que sabe o que sente, E porque sente não ter um fim... Álvaro Machado – 21:29 – 04-02-2013

Orgulho

Imagem
Ele tem no seu interior Toda a bondade que um homem pode ter, É o coração de um gladiador Que sempre soube vencer Os obstáculos que lhe iam sufocando, Os desgostos que lhe iam dando E a sua maneira orgulhosa de não-confraternizar Com os que sabia, no fundo, amar. Porque quem tem um bom coração Tem a humildade colada ao chão E os bons corações nem sempre mostram Por que razão amam. Álvaro Machado – 14:04 – 29-01-2013