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Homem-multidão

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A esta hora onde me sou tremendo sob a veste do mundo (e Deus assim se esquivou) peso e sinto-me imundo quase no fundo... A esta hora de indefinição voltado às confissões ancestrais deixo-vos: escutai o meu coração, o porquê de infinitos ais... E que as montanhas mais ásperas, as ondas dos mares mais insubordinados, as terras longínquas e áridas sejam, ó poetas!, nossos legados!... E a hora, ténue ao menos no sofrer, sucumbe de mim pela mão... A hora que me deixou agonia no ser, até sempre na multidão!... Álvaro Machado - 23h48 - 15-05-2016

Paragem.

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I. É só uma sensação. Um pequeno desconforto, disse eu, Olhando em volta Para o sentido que me move Inerte, frágil, ridículo… E paro. Não quero continuar. Deixo que tudo desmorone! Não tenho mesmo vontade nenhuma De me erguer p’ra poder viver. Da vida o que posso esperar? Ilusão errática, Agonizante, cismática… E não mais que isso. Um eco profundo que eu invoco Só porque não valho nada… II. Para além da vida, Este meu eu que me corroí por dentro Leva-me ao suicídio da alma Pela súbita inveja De uma pomba voar… Quão frio me sou quando rodo numa náusea de suposições O que esta pomba faz sem sentir, e muito menos sem pensar. Feliz porque Deus é egoísta e a deixa ser feliz Para nos escarnir. Olhámo-la com uma inquieta e estranha curiosidade. Olhámo-la porque vemos nela o que não vemos em nós: Vemos-lhe liberdade, meus caros. Liberdade! Liberdade e inocência, pura inocência Que a faz voar muito mais além… Álvaro Machado - 23:26 - 01-05-2014

Momento solitário

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Estou sentado entre o início e o fim - tempo que, então, me for concebido - Numa poltrona que me faz reflectir para lá de todos os sentidos possíveis... Verdade é que não sei quem sou neste espaço de tempo, rodeado por escombros sentimentos... Estranhos locais que me fazem feliz, assombrosas passadas que me põem em dúvida... Dou por mim, de repente, numa transcendência: embarco para o futuro, tento trazer as respostas que o presente ainda oculta, E muito lucidamente questiono qual é a verdadeira essência da vida Se eu vejo os anos passarem à minha frente e o meu fim cada vez mais próximo? Quanto mais penso, menos sei; quanto mais desejo, menos tenho. É isso a essência da vida? Não apenas no querer, mas também no que virá do inconstante destino? Não sei. Nos meus sonhos a vida parece-me um tanto diferente... Melhor, para ser sincero... Tenho para mim que a complexidade da vida é uma nulidade - O homem pensa, mas nunca alcança. Por isso tanto diva...