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Sucessão abstracta

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É quase paradoxal compreender Os mundos de outros mundos A não ser este, porque nem este é Compreensível de todo. Há a sucessão de novos universos A nascer, para além do nosso, E quem sabe não possam estar p'ra nascer, agora, Milhões de esperanças e desejos. É permitido com que sonhe isso, Porque me foi concebido esse dom De sonhar como que esquecendo O mundo em que estou vivendo. E eu deparo-me com a minha casa, Acendendo velas para confraternizar Com os diversos universos que estão para chegar Mesmo que não existam. Dá vontade de os sonhar, porque me parecem impossíveis de sonhar! Dá vontade de os desejar, de os querer ali, naquele momento, Todos eles só para mim! E talvez o custo dessa cismática abstracção Seja a perda da realidade como realidade, Torná-la tão grotesca que já o universo não faz sentido, Torná-la desprezível que já nem nós fazemos sentido! Que o mundo inteiro desabe e nós trocemos dessa situação Com...

Rendição

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Rendido. O peso de consciência é demasiado. Prendido nos recônditos mais sombrios, Pesa à alma as desgraças de toda a humanidade E pesa tudo, só num pensamento. A depressão de estar sozinho e de não ter com quem falar. De estar deitado e de não conseguir fechar os olhos. Tudo é culpa de antecipar um sentimento ou uma acção, Que talvez nunca será realizável, Mas dói entrar nessa abstracta antecipação. Só rostos enfraquecidos tomando-nos a consciência! E nós enlouquecemos porque eles não deixam Que este peso se afaste... Estar rendido é o preço a pagar para quem não tem forças Nem vontade de espírito para continuar; E no quarto está escuro, com as más energias sobre o ar: Quanto rendido posso eu estar? Álvaro Machado – 01-03-2013