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Criança

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Para lá do possível são os meus sonhos. Pelo menos, essa é a minha convicção. Os métodos fazem da vida uma anedota E a estupidez faz-nos crer que não. Ainda me sinto desrespeitado, troçado, Como uma pequena criança que foi abandonada pelos destinados a amá-la. E deus bem viu isso e fingiu ablepsia, Deixando a criança ao vento da sorte... (Ouve bem as minhas preces, é o que me resta: Fiz por abandonar o ciclo de pessoa que, pouco a pouco, Me foi retirando o prazer que eu tinha de viver e de sonhar; Passei de uma mansão de boas sensações por explorar Para uma assombrada mansarda decadente e obscura... E o que faço, agora? O preço a pagar é a vida.) A criança continuou, em cais perdido, eternamente. Foi a infeliz que foi deixada e todos a deixaram ir, mesmo sabendo que não estava certo. Haverá outra e esse é o método adoptado para a constante dor Que se tem vindo na terra a propagar... Álvaro Machado - 08:26 - 23-09-2013

Noite de fé

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Encobre-se na noite toda a verdade: A sorte está entregue ao vento da saudade, Perco os sentidos e deito pela janela fora Tudo o que fui, outrora. (Talvez a vida não tenha sido feita para mim...) Escorrego, pelo chão, destroçado, Até vir deus, que me tem abandonado, À espera que chegue ao fim... Sento-me no chão e oiço a morte ranger. Sento-me horas a meditar o que não pude ser, O que não consegui ser, e a chuva responde Que um homem nunca se esconde Nem em solidão histérica nem em mares profundos, Mas eu, que sinto outros mundos, Por que razão me abandonam E a mim não se juntam? Hoje a minha voz tem fé E as minhas palavras têm Deus. Se mais caminhos não encontrar, Que haja fé para me orientar Até que finalmente o juízo final Chegue para me levar... (Talvez ao partir a dor possa acabar, Porque nenhuma encontrei igual...) Álvaro Machado – 02:36 – 01-04-2013