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Inteira criação

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Mar e sol e estes codessos amarelos Por onde sobrevoam borboletas, A brisa passa, O canto do rouxinol se ouve, As nuvens permanecem, A paz imbuí a alma... Quero pertencer a esse lugar também, De onde o pequeno nada é o tudo, inexplicável, Como uma pequena folha que cai da árvore, Simplesmente, porque é o decurso da vida, E que é magistral poder observar, Observar tão peculiarmente... Mar de todos os tempos, amo ver-te, ver as tuas ondas Batendo sobre a encosta adormecida; Sol de todo o sistema solar, onde os teus raios iluminam a terra, Alentas a alma de cada um de nós com esperança; Brisa transeunte, deleite de passagem efémera... Canto frágil e submisso de rouxinol todas as manhãs... Nuvens que perduram à janela, azuis, cinzentas... E para isto tudo, chamamos natureza. E paz. Álvaro Machado - 13:55 - 27-10-2013  

Menor.

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Menos dominante que o mar, Não tão supremo como Zeus, Mas sendo, sou mais um clarear A crer nos caminhos não meus. Se a corrente me leva Pergunto pouco ou nada, Também por já não haver treva Dá-se, a vida, por acabada. Altivas árvores pertencem À natureza destronada E, por isso, tantas mentem Quando a vida passa somente a nada. Mas sendo, sou uma árvore leviana Que, ao passar, passem, Nunca vendo, nunca me olhando, Se não virem, vão perguntando. Ergue-se a janela e a sua preciana A luz é frouxa e cansativa - Vai a árvore pequena durando Muito mais que a altiva. Álvaro Machado - 13-06-2013

Não ter nexo...

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Quando quis voltar a ter rumo já tarde era para mim. De novo quis voltar àqueles desertos alucinantes, Àquela prisão de areia - e os camelos tão distantes Juntam-se, a mim, nestes cismos arrepiantes! Não há mais conquistas a ter. Nem futuras a sonhar. Passo horas à espera que frutifiquem Árvores de fruto que nem tão pouco crescem Porque o sol, em vez de criar, há-de queimar. E em vão, a alucinar, eu peco por te desperdiçar, Que nem ter esperança me há-de ajudar, Porque Deus quis que o meu rumo fosse procurar O rumo onírico de nada encontrar! Álvaro Machado - 20:56 - 24-04-2013

Pavimento

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Acordo como o sol de hoje: Claro e cheio de vida para dar E a minha vontade é de iluminar Toda a gente, hoje. O meu sol é, ainda assim, diferente: Gosta mais de dar do que receber E até ao meu entardecer Só vejo sorrisos de gente. Os pavimentos da rua enchem - O que vejo são transeuntes felizes Intercalados pelo jardim que preenchem. As árvores passam a dar sombra ao amor E o vento que passa deixa-me com a saudade De ser a chuva que caía sem felicidade. Álvaro Machado – 12:54 – 23-02-2013  

Isto do vento

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E é isto que somos neste mundo. A história só nos diz mentiras. Somos a passagem repentina do vento E a chuva e o sol do lamento. É isto o mundo de quem nos criou, São estas as árvores, as paisagens, E tudo o mais que olhamos das nuvens. Somos tudo que o vento levou. Tudo é estar belo e ser aparentemente eterno, Menos nós, que passamos repentinamente Por este mundo e outros e quem sabe continuamente! Tudo é isto em paisagens ao sol e não sermos como ele, É viver tão distraidamente de nem pensarmos Que um dia, finalmente, acabamos! Álvaro Machado – 14:18 – 08-02-2013