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Nota final

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Encaro o suicídio Como inevitável e como única certeza Que entre os largos devaneios distantes Meu coração suporta... Sentado, debruçado sobre qualquer coisa de natural, Encaro a frio a realidade que a meus olhos pesa e persiste. Depois caio, porque não sou mais nada Senão uma queda permanente. E a sociedade que por dentro me corrói e se me afasta? Que é do vadio que no cimo do mundo se escondeu, Se encovardou de olhar de frente Para a Dor e para a Morte? Coitado. Álvaro de Campos, coitado de ti, que ninguém chorou essa dor tão fúnebre!... Coitado do que és, uma sobriedade desajustada às leis do universo!... E do nada que não existe, somos nós e assim permanecemos Até ao fim do largo oceano!...

Pequeno cais

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A ti, Álvaro de Campos Eu também tenho um pequeno cais na minha cidade. Seja ele muito mais pequeno do que o que tens sonhado, Mas dá para lhe sentir o reflexo também. Poucos barcos estão atracados e a ponte é curvada. Seja ele muito menos luminoso do que o que tens sonhado, Mas dá para lhe sentir algo de especial também. Pode não ser melhor do que o teu, pode não o ser. E pode ser menos do que o teu, porque sou eu a escrever. Pode ser uma ode marítima menos contextualizada… Ah, mas que nos interessa isso afinal de contas? Eu passo perto do cais todas as noites e penso em ti E nas razões para teres sonhado com este cais também… Quem me garante que já não nos cruzamos nele? Quem nos diz que já não navegamos nele? Eu e tu, noutros tempos, noutros poetas. Álvaro Machado – 21:56 – 04-02-2013